29/08/2017

Mais da metade dos professores, da rede privada, apresentam distúrbios psiquiátricos

Com o objetivo de comprovar cientificamente o panorama de saúde mental dos professores do Rio Grande do Sul, o programa de pós-graduação em Psicologia da Unisinos realizou, em dezembro de 2016, uma pesquisa sobre saúde e adoecimento mental dos professores da rede privada do Estado. Os resultados mostram que mais da metade dos professores apresentam sintomas de Distúrbios Psiquiátricos Menores (DPM).
 
A pesquisa, em parceria com o Núcleo de Saúde do Professor, a Federação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Ensino Privado do RS, o SINPRO/RS, SINPRO NOROESTE, SINPRO CAXIAS, foi pela constatação de que a maioria das licenças de saúde nos últimos anos revela o adoecimento mental como causa, reforçando a importância de avaliar as condições a que estes profissionais se submetem no seu fazer diário, além de apontar condições/ações que promovam a saúde e a melhoria na qualidade do ensino.
 
Dos 740 professores entrevistados dos níveis da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior da rede de ensino privado do Estado, 199 entrevistas foram validadas revelando que 55% dos participantes apresentam, ou já apresentaram, sintomas DPM - aqueles não psicóticos aos quais pessoas estão expostas, como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas, sendo o maior número de casos na Educação Infantil. Os profissionais que apresentam, ou já apresentaram, sintomas de depressão, representam 35,2%, sendo o maior número de casos identificados em profissionais que atuam no Ensino Médio.

Na análise das relações entre as variáveis consideradas no estudo concluiu-se que ter menos saúde mental, ter relações socioprofissionais menos satisfatórias, ter uma menor renda mensal, ter uma organização de trabalho menos satisfatória e atuar nos níveis de Ensino Infantil e Fundamental aumenta o risco para desenvolver a DPM.

Depoimento de Professor Saudável:
"[...] procuro dar conta do dia a dia, de bom humor sem estar preocupado com horário, sem cair na mesmice da rotina e não fazer as coisas automaticamente. Ter pelo menos um momento de prazer no dia, nem que sejam cinco minutos depois do almoço; que se consiga manter isso no dia a dia".
 
Depoimento de Professor Adoecido:
"[...] os novos donos da nossa universidade fizeram  redução de carga horária (proibida por lei no país). A partir daí começaram a perseguir, hostilizar e demitir os professores mais experientes. Pelas permanentes ameaças de demissão tive um estado de stress, úlcera do duodeno, hemorragia, internação, transfusões, anemia e mil problemas físicos e psicológicos. Estou tentando me aposentar por invalidez. Apesar do êxito obtido com os alunos, minha carreira docente terminou numa total frustração".

Nesta direção foi elaborada a cartilha Saúde/Adoecimento Mental dos Professores da Rede Privada de Ensino do Rio Grande do Sul. Veja o documento na íntegra clicando aqui
 


  

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